quarta-feira, novembro 26, 2008

Motoboy / Construção

Ontem ví um acidente com um motoboy e foi inevitável fazer esta comparação

Correu daquela vez como se fosse a última
Ultrapassou o ônibus como se fosse o último
E cada rua que seguia como se fossem as únicas
E atravessou a rua com sua aceleração tímida

Subiu a avenida como se fosse máquina
Entregou no 18º andar quatro pacotes sólidos
Empresa por empresa com seus malotes trágicos
Seus olhos embotados de vento e lágrima
Desacelerou pra descansar como se fosse noite
Comeu pizza de mussarela e tomou cerveja como se fosse um rei

Bebeu e soluçou como se estivesse na balada
Empinou e freou como se ouvisse dance
E pingou no asfalto como se fosse uma bola
E rolou no chão como se fosse um capacete

E se acabou na via feito um malote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

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