quarta-feira, maio 18, 2011

The Cult: a mesma força, sem o mesmo glamour

por Sylvio Micelli


No último final de semana, São Paulo recebeu uma das mais importantes e influentes bandas britânicas dos anos 80. Formada, historicamente, pelo vocalista Ian Astbury e pelo guitarrista Billy Duffy, a lendária banda The Cult nasceu no começo dos anos 80, no berço do chamado pós-punk, misturado ao gótico, movimento capitaneado principalmente por The Cure, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, Bauhaus e tantas outras.

Nesta linha, em 1982, nasce o Southern Death Cult com Ian Astbury nos vocais. Ele se juntou a membros de outra bandas de pouca expressão à época, como Theatre Of Hate e Death Cult e surge o The Cult. Pois foi essa história que Astbury e Duffy, ao lado de Mike Dimkich, Chris Wyse e John Tempesta contaram na excelente acústica do HSBC Brasil.

Astbury, que completou 49 anos naquela noite, “errou” o figurino. Travestido de Jim Morrison, histórico vocalista e mentor da banda The Doors, (com a qual Ian tocou recentemente sob a alcunha “Riders on the Storm”) o cantor conversou com o público o show inteiro, ironizou Bono Vox e os megashows do U2, fez piadas com Bom Jovi, tocou um pandeiro que era irritantemente era arremeçado ao chão e, mais importante de tudo, mostrou ainda, uma voz potente para desfilar os clássicos do Cult. Seu eterno parceiro Billy Duffy, um cinquentenário jovem senhor de cabelos grisalhos, mostrou que ainda sabe tocar guitarra como poucos e os demais membros não comprometeram.

O show foi mesclado com canções novas do EP The Capsule do ano passado e com os clássicos. A banda começou tocando o single lançado no ano passado “Every Man And Woman Is A Star” e já emendou a histórica “Rain” do álbum Love (1985). Conversando com os mais de 2 mil presentes, Ian foi comandando a plateia e apresentando as músicas. Clássicos não faltaram: “She Sells Sanctuary“, que fez tremer o local; “Love Removal Machine” emendada ao “Happy Birthday” ao aniversariante do dia; “Spiritwalker“, “Wild Flower“, “Lil’ Devil“, “Fire Woman“, “Sweet Soul Sister“, entre outras, também deram as caras.

Estranhamente, o The Cult não tocou um de seus maiores clássicos “Revolution” e o público sentiu a ausência de baladas mais românticas como “Edie (Ciao Baby)” ou “Painted on My Heart” do filme “60 Segundos“. Para compensar tais faltas e o visual, Ian encerra o show com a maravilhosa “Break on Through“, clássico dos clássicos do The Doors. Missão cumprida.

O The Cult continua “na ponta dos cascos”, com a mesma potência e ainda relevante. O glamour gótico, porém, fica apenas na retina da memória.

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