segunda-feira, novembro 19, 2012

Verdadeira comida de boteco I





Casa do Norte Vera Lúcia - 48 anos
Falar sobre comida ou petiscos de boteco parece clichê, pois há inúmeros livros que tratam do assunto e até concursos sobre as melhores iguarias de botecos. Tudo furado. E a razão é simples, e é preciso de um pequeno resgate histórico. Diferente dos “Salons” americanos, aqueles lá do “velho oeste” que assistimos nos filmes onde o cara chega ao balcão é bebe uma dose de “sei lá o quê”, no Brasil os Botecos, são oriundos de Portugal e vendiam sacarias, como arroz, feijão, entre outros grãos tudo a granel, e é claro: a cachaça.
Balcão original desde a inauguração da casa 
Com o passar do tempo, os botecos passaram serem chamados de mercearias, porém os botecos já instalavam seus balcões para degustar a cachaça e os petiscos oferecidos, como torresmo, ovo cozido... Este tipo de comércio se popularizou nas periferias das grandes cidades, frequentar o balcão destes locais era pejorativo.

Com o passar dos anos os “bares” invadiram os bairros nobres e seus frequentadores ganharam status de boêmios. Para ficar ainda mais requintados deram o diminutivo de “barzinho”. Nos grandes bairros esta cultura se popularizou ainda mais, até chegar aos dias de hoje, pois vemos restaurantes se rebaixarem a status de bar. É moda, é chique. Afinal todos se divertem no bar, pois frequentar restaurante parece algo formal. E deciframos quando o restaurante está disfarçado de bar/boteco pelo menu. Boteco não tem cardápio, comemos aquilo que o dono oferece na estufa.
Concurso de melhores botecos é tudo furada. São restaurantes disfarçados de bares e muitos não têm uma cultura boemia, de bar. Não que estes locais não sejam bons, mas estão longe de ser um verdadeiro boteco.
Jabá com farinha e pimenta uma das especiarias
Estes verdadeiros locais possuem frequentadores assíduos e é fácil reconhecê-los. Estes dia estive em um, chama-se Casa do Norte Vera Lúcia. Fica na Avenida Cupecê na zona sul de São Paulo, na altura do número 5 mil. O local tem 48 anos, é um dos primeiros da região. A decoração ainda é a mesma, assim como o cardápio: jabá, torresmo, carne de sol e arroz tropeiro. Vende também arroz, feijão e milho a granel. O balcão e a a estante onde ficam as garrafas de cachaças ainda são os mesmos. Os clientes também. Alguns frequentam o local há mais de 30 anos. Tem dias que a roda de pessoas que ficam ali só tem “cabeça branca”, como diz o proprietário, pois os todos os clientes possuem cabelos brancos. E o petisco principal é: jabá, servido com farinha e pimenta. Delícia.

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