sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Quebra-te o queixo


Quando criança, um senhor de avental azul e com um sino na mão passava pela rua Sto. Afonso, bem em frente a minha casa e badalava um sino. 
A molecada saia até a rua a via lá... Aquele quitute adocicado feito a base de coco. Era o "quebra-queixo". Lembro que entrava para dentro de casa em busca de moedas para comprar o doce que te melecava todo. Depois da primeira mordida o açucar insistia em esticar, tipo queijo quente.
Naquela época já era raro ver o "tiozinho" vendendo estes quitutes pelas ruas, hoje então não é raro. É raríssimo. Pode servir até de pauta, virar matéria, sei lá. Só sei que me surpreendi nesta semana andando pelo centro de Diadema. Eis que encontro com uma menina chamada Dina. Ela vende quebra-queixo pelo centro de Diadema. Faz o quitute com a receita de sua mãe, que outrora badalava o sino pelas ruas da cidade vendendo o doce para a alegria da criançada. Não resisti ao vê-la. Comprei um, e fiquei com a boca toda adocicada de memórias.

As crianças, as mulheres e o elevador

Estes dias, fui à casa de um amigo que mora em um apartamento e quando entrei no elevador, observei duas mulheres com filhos da mesma idade, de aproximadamente cinco anos. Eram dois meninos: o primeiro estava segurando um carrinho de plástico, sem rodinhas, e as portinhas estavam soltas, e toda hora caia no piso. Ele dirigia este pequeno automóvel pelas paredes do elevador, e na sua boca saia o barulho de um motor potente; o outro tinha um carrinho de controle remoto, e apenas segurava-o com as mãos.

De repente surgiu um diálogo. "Olha que carrinho legal, me deixa ver?", perguntou o guri que tinha o carrinho de plástico. "Tó, foi meu pai que me deu", respondeu o outro. Um diálogo incrível surgiu entre as crianças, como se elas se conhecessem há muito tempo. O mais triste desta história, é que as duas mulheres, que pareciam ser a mãe dos garotos nem se olharam, eram como se fossem invisíveis. Observava a tudo e sorria para os moleques.

Fiquei pensando em como definir uma explicação para que duas crianças tão diferentes que não se conhecem, mas tornam-se amigas de uma forma tão natural e pura, não importando a classe social. 

Lembrei-me de Jesus, quando disse: "Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior reino dos céus" (Mateus 18/4). Por outro lado, o mundo adulto é cheio de justificativas, tentando explicar o inexplicável e são capazes de virar a cara e ignorar outra pessoa, como aconteceu com as duas mulheres.