segunda-feira, outubro 26, 2015

O programa Esquenta é odiado pela “burguesia”, da direita e da esquerda


Se há um programa que causa debates na televisão aberta é o “Esquenta”, veiculado aos domingos na Rede Globo para todo o país. Uma breve pesquisa na internet revelará várias críticas ao dominical comandado por Regina Casé que atinge altos índices de audiência por ser ou tentar ser o porta voz da periferia, e isto causa polêmicas em todos os aspectos.

Nas últimas décadas criou-se um senso comum que a linguagem da periferia é o rap, principalmente em São Paulo, por isto há vários programas que exaltam a cultura hip hop como o único gênero da periferia, como Manos e Minas, entre outros. Ficam de fora, às vezes o samba, o funk, sertanejo, entre outros.

Fiquei interessado sobre o tema ao assistir alguns programas e, acho a proposta bem legal. Como mostrar a periferia de uma forma alegre? Ela (Regina Casé) faz um programa digno e fui repreendido por um conhecido ao fazer tal afirmação. Intelectual de esquerda, marxista nato, afirmou-me que é um atestado de pobreza e burrice ver tal programa, pois valoriza apenas uma cultura duvidosa e alienante. Outro dia, um outro conhecido, este conservador, afirmou a mesma coisa, praticamente o mesmo argumento, aí cheguei a uma conclusão: “O programa Esquenta é criticado não por suas características, mas sim pelo preconceito”.

A periferia é multicultural, tem de tudo, e é esta mistura é a síntese do Esquenta, “tudo junto e misturado”. Mas isto não é bem visto por críticos intelectuais principalmente estes “burgueses” de todos os gêneros. É possível encontrar críticas ao Esquenta com teores preconceituosos, como este que encontrei na internet.

“Comandado pela brega Regina Casé (sic) ... O dominical tem a roupagem espalhafatosa e colorida das roupas da apresentadora... O programa mostra um Brasil com valores culturais pobres ao levar para exibição o que considera a voz dos marginalizados. Então é comum ver um linguajar cheio de gírias, moças seminuas rebolando, dançando funk e outros ritmos ao som de letras pobres e sem sentido, senão o de exaltar a sensualidade e o sexo fácil. O Esquenta mostra o Brasil dos desgraçados, dos desprovidos de sonhos, dos que não tem expectativas, dos que estão juntos e misturados. Uma grande periferia, onde o nóia está próximo do traficante. Onde a dona de casa e o trabalhador a tudo vê, tudo ouve, tudo sente, mas que finge que nada viu, nada escutou, nada sentiu e ainda tem o bandido e traficante como amigo do peito. Tudo junto e misturado, é esta a impressão que O Esquenta passa”. (Ver texto original).

Há ainda textos engajados que afirmam que o programa tem características racistas, por colocar o negro em posições “suburbanas”. “O programa reforça o estereótipo dos negros brasileiros como indivíduos suburbanos, subempregados, mas ainda assim felizes, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes” (ver a matéria original).

Caro amigo ou amiga que lê estas poucas linhas, o fato, é que a periferia incomoda, seja qual for a abordagem. Qualquer tipo de programação que mostre uma cultura que não venha do “mainstream” central, ou da Vila Madalena e adjacências elitizadas espalhadas pelo nosso Brasil, será sempre vista como uma subcultura, e sempre será criticada por todos, não importando a ideologia.

A cultura seja ela qual for, deve transitar entre si como trocas de informações, fazendo com a cidade possa ser mais homogênea, mesmo com tantas diversidades de gêneros. As informações nos botecos da periferia são diferentes dos “botecos” elitizados com suas músicas e comidas gourmet; são, na maioria das vezes, mais “frescas”, saindo do forno, sempre com uma moda diferente, com roupas coloridas e cortes de cabelo com gosto duvidoso para alguns. 

Mesmo assim, ganhará a mídia e irá se apresentar em programas como o Esquenta. Depois disso, será elitizado nos bairros ricos e nos bares gourmet e nos locais onde vendem comidas de rua, ops! Aliás, agora é truck foods. Enfim, vários usuários espalharão esta moda do subúrbio pela cidade e, ainda assim, continuarão a condenar tudo que a televisão mostra da periferia, seja do bem ou do mal. Onde fica mesmo a periferia?

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