terça-feira, janeiro 19, 2016

A mãe que comeu o filho

Texto e arte do livro "Crônicas e contos" de Sérgios Pires a ser lançada em 2016


É impossível uma pessoa morrer de fome no mundo, não consigo ter esta concepção, porém isto acontece, e o pior, ignoramos. Uma publicação cientifica, inglesa The Lancet, um veículo de fama internacional que, publicou um relatório, há quatro anos, afirmando que mais de 3 milhões de crianças morreram de subnutrição em 2011. É muito triste e temos que fazer uma reflexão séria, sobre o meio ambiente, consumo e também solidariedade.
Todos os programas governamentais atuais, começaram a partir do Fome Zero, pois a intenção de acabar com a fome do governo brasileiro é legítima, apesar de ter várias críticas.
Todos sabemos que o melhor não é dar o peixe, mas sim, ensinar a população a pescar. Infelizmente, muitos se esquecem, que para ir à pesca, são necessários utensílios que o povo não tem. E a população faminta só tem a vontade, mas não tem material para a batalha. É claro que sempre tem alguns que tiram vantagens e aproveitam da situação deixando de fora quem realmente precisa.
Hoje, com os refugiados da Síria, das pessoas que ainda estão lá, sofrendo, assim como dezenas de países que estão em conflitos, milhares de pessoas estão morrendo, não só de balas e bombas, mas de fome.
Há cerca de quatro mil anos, o povo de Samaria em Israel passava por grandes dificuldades por causa da seca e pela fome que assolava a região. O rei andava a cavalo pela região, quando ouviu a seguinte reclamação de duas mulheres que o interpelaram: "Esta mulher disse, dá o teu filho, para que hoje o comamos e amanhã comeremos o meu. Então cozemos o meu filho e no dia seguinte, eu disse: Dá o teu filho para que o comamos, e ela o escondeu. Ouvindo isso o rei (envergonhado) rasgou suas vestes e se vestiu de pano de saco" (2 Reis - 6:28,29,30) Mas tarde Deus proveria suprimentos na entrada desta cidade com farinha e cevada para saciar a fome do povo.

Estamos assistindo cenas horríveis de violência no mundo, não irei me espantar quando os seres humanos começarem a se transformar em canibais para sobreviver. Até o momento o antropofagismo é social, mas as roupas de saco quem veste no Brasil e em todo o mundo, não são os governantes, como em Samaria, mas sim o povo, que envergonhado assiste as pessoas morrerem de fome e tentamos esconder a nossa nudez, pois estamos parados e anestesiados vendo os fatos acontecerem sem agir.

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