quinta-feira, maio 15, 2014

Se te queres matar, porque não te queres matar?

Proj-logo
Álvaro de Campos

Se te queres matar, porque não te queres matar?

Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo..
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quinta-feira, maio 08, 2014

Seleção Brasileira é previsível, sem alternativas

Os 23 jogadores convocados por Felipão para disputar a Copa do Mundo no Brasil é um time previsível, com poucas surpresas e com alguns erros que podem custar caro. Alguns jogadores de "confiança" convocados nada mais são do que "nepotismo" futebolístico. Gosto muito do Henrique, ex-jogador do Palmeiras, zagueiro que sabe sair jogando, um cara versátil, que atua como volante e também na lateral. Mas tem outros jogadores na mesma posição que jogam mais futebol que ele. Seu defeito principal fazer "linha direta" da defesa para o ataque em lançamentos de 50 metros que nunca dão em nada. Mas não acredito que o problema da Seleção esteja na defesa, mas sim no "meio" e no ataque.
Robinho é um destes erros. Tá certo que o cara não esteja jogando o mesmo futebol que o consagrou  no Santos, mas deveria ter sido convocado por alguns motivos: Está no álbum de figurinhas (tinha que ir), fez uma parceria fantástica com Neymar no Santos; o cara sabe unir o grupo; é carismático e sempre sai bem nas coletivas de imprensa e por último humilhou o Corinthians, detonando o Rogério com suas pedaladas. Brincadeiras à parte, o Robinho poderia ser opção. Quando o Dunga tomou o segundo gol da Holanda na última Copa, ele olhou para o Banco e não viu ninguém que poderia entrar em campo como uma segunda opção. O Felipão corre o mesmo risco.
Júlio Cesar, o goleiro, que joga no time... Onde ele joga mesmo? Ninguém sabe. Ele joga lá no Toronto...(?!)
Lucas, o moleque aqui da Santo Afonso, vi o cara crescer, conheço a família... Depois do Neymar, a torcida clamava por Lucas. Foi para Europa e se perdeu, virou banco. Teve apenas uma chance com Felipão.
Na armação, quem vai ter que segurar o barco é o jovem William, aliás não tão jovem assim, o cara tem 25 anos. Mas se ele estiver mal... aí... O Felipão terá que improvisar. Fazer aquela coisa de volante-armador, coisa e tal.
Enfim. O time é bom. Conciso. Mas é muito pragmático. Ao contrário as seleções anteriores, não há craques que ficaram de fora, mas sim, bons jogadores que deixaram de ser convocados. Só o tempo nos irá responder.