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A Dinâmica do Silêncio: respeito, provocação e os limites da convivência



O respeito mútuo é a engrenagem fundamental das relações humanas, mas, no cotidiano das amizades, essa linha frequentemente se torna tênue. É comum que brincadeiras de mau gosto, disfarçadas de piadas sarcásticas e provocações, sejam direcionadas a um indivíduo. 
Muitas vezes, quem recebe a provocação opta pelo silêncio e não retruca, agindo assim para evitar conflitos ou para não parecer mal-educado. No entanto, essa omissão carrega um peso psicológico e social complexo, dividindo opiniões teóricas sobre a eficácia e a saúde dessa postura. Por um lado, a filosofia estoica, com pensadores como Epicteto, defende que a omissão e o controle das próprias reações diante de uma ofensa são sinais de virtude e força interior. 
Para o estoicismo, o comportamento de não responder à provocação é positivo, pois demonstra que o indivíduo não permite que o ambiente externo perturbe sua paz mental. Trata-se da escolha consciente de não dar poder ao provocador. Em contrapartida, a psicologia moderna e a teoria da comunicação assertiva enxergam essa omissão de forma crítica. 
Teóricos como Thomas Gordon apontam que calar-se diante do desrespeito acumula ressentimento e valida o comportamento inadequado do outro. Para essa corrente, o silêncio não é "bom comportamento", mas sim uma passividade prejudicial que anula os limites pessoais. Mas o que move o provocador? A intenção por trás das piadinhas ácidas geralmente esconde a necessidade de afirmação de poder, controle ou a busca por atenção dentro de um grupo. 
Sigmund Freud, ao analisar o chiste e o humor, explicou que o sarcasmo e a ironia agressiva são formas socialmente aceitas de canalizar a hostilidade reprimida. Quem provoca busca, muitas vezes de forma inconsciente, testar os limites do outro ou mascarar suas próprias inseguranças através da diminuição alheia. Portanto, o verdadeiro respeito só se consolida quando a diversão de um não se estabelece sobre o desconforto silencioso do outro.

Manifestações sem respeito não há mudança

Vivemos em tempos de crise, mesmo com as condições de um Brasil bem melhor, em relação há tempos passados. Índice de desemprego caiu, o número da classe média aumentou, assim como o número de novos milionários. 
O trânsito caótico revela que as concessionárias estão aumentando a cada dia, as vendas dos automóveis. O número gigantesco de novas faculdades revelam também que o acesso à educação superior está mais fácil, mesmo com uma qualidade duvidosa.
A situação melhorou. Hoje existe o vários programas govenamentais, onde os estudantes podem ter acesso à educação superior de forma gratuita, o FIES está mais acessível, bem diferente de anos passados. O número de cotas nas universidades públicas trazem ainda, a oportunidade, de ingressar em uma universidade de ponta, mesmo, que esta política, ainda que cause discussões, de quem é favorável ou não à esta política.
Sabemos que o país mudou para melhor. Porém, ainda vemos escolas em ruínas espalhadas pelo país, hospitais sem leitos, sem médicos, condução precária,  corrupções, etc. Isto justifica as manifestações.
Mas, ainda não ouvi ninguém falar da principal mudança para que todas estas outras aconteçam: o respeito. Sim, o respeito em todos os sentidos, que envolve a educação e o direito do próximo.
A corrupção está ligada diretamente a tirar vantagens do “outro” em benefício de si próprio. E isto tem relação direta com respeito, desde as pequenas coisas do nosso dia a dia, como respeitar o farol vermelho, respeitar as vagas dos idosos e portadores de necessidades especiais nos estacionamentos, não jogar lixo nas ruas, não andar com o som do carro ligado no talo, com aqueles amplificadores potentes e por aí vai.
O respeito ao próximo é uma questão essencial para que possamos cobrar isto do “outro”. Não há mudança política se não houver uma mudança em nosso comportamento.  Todos sabem, mas por mais que seja “clichê”, é preciso falar: “amai o próximo como a ti mesmo”. É por aí, desta forma acontece este respeito.
É necessário ir às ruas. Sim. Mas a mudança principal acontece dentro de nós mesmos, e isto reflete até na hora em vamos às compras, aí podemos agir como consumidores conscientes, e ter condições de fazer uma mudança social em todos os sentidos.