Desamizades

 

Ninguém te avisa, mas ser legal tem efeito colateral: quanto mais você agrada, mais gente aprende a não te levar a sério. E tem sempre aquele colega que te abraça na copa e te desmonta no corredor.

Eu conheço o tipo porque certa vez, fui o cara que levava o bolo. Participava do aniversário de todo mundo, comprava, cortava, fazia o pix da contribuição, distribuía e ainda recolhia o prato. Dizia “deixa que eu faço” antes de alguém terminar de pedir. Achava que estava plantando amizade. Estava, na verdade, abrindo uma conta sem limite, e a conta era só minha.

Também fui o cara que entregava relatório, plano, projeto: tudo no prazo, tudo certinho. Na reunião, aplausos e um “excelente trabalho”. No dia seguinte, a pasta estava exatamente onde eu a deixara, na mesma posição, com o mesmo ângulo, virgem. Aprendi que elogio, em certos lugares, é só um carimbo que dispensa a leitura.

Em um outro local, organizei palestras, desenhei planejamentos, pensei em anos à frente. Ninguém nunca perguntou o que vinha depois. Planejamento futuro, pelo visto, só interessa a quem pretende ter futuro ali. Eu planejava o futuro deles. O meu nunca entrou na pauta.

Teve ainda a semana em que, por três dias, encontrei na porta do meu carro, no estacionamento, um cuspe com catarro. Não acusei ninguém: não tive provas, só uma teoria. Mas convenhamos que, entre tantos colegas que comeram do meu bolo, alguém tem uma pontaria impressionante e uma opinião sobre mim que nunca teve coragem de dizer na reunião ou pessoalmente.

O pior é que eu mesmo ajudei a montar o personagem. Fiquei quieto quando devia contestar, engoli o que não concordava, sorri onde devia ter discordado. Achava que silêncio era educação. Para eles, era autorização.


Férias - Momo Lamen

 


Ir ao bairro da Liberdade hoje em dia virou uma tradição gastronômica, é impossível não tentar experimentar as variedades gastronômicas que o bairro oferece. Eu tenho uns três restaurantes prediletos, entre eles o Momo Lamen... Estive lá ontem, dia 13 de julho e cheguei bem cedo, às 11h40 para garantir um lugar, já que as filas são enormes. O João estava comigo e o mais importantes: comemos de hashi! Ao saírmos por volta das 13h30 a fila para entrar no local já estava dobrando a quadra!



Uma restauração

 


Durante o último ano de faculdade, o fotógrafo Marcos Fávero, amigo da Metodista começou a registrar os integrantes do grupo no Centro Cultural Vergueiro, esta foto estava no meu mural que a fotografei e tentei restaurar a imagem.

A Dinâmica do Silêncio: respeito, provocação e os limites da convivência



O respeito mútuo é a engrenagem fundamental das relações humanas, mas, no cotidiano das amizades, essa linha frequentemente se torna tênue. É comum que brincadeiras de mau gosto, disfarçadas de piadas sarcásticas e provocações, sejam direcionadas a um indivíduo. 
Muitas vezes, quem recebe a provocação opta pelo silêncio e não retruca, agindo assim para evitar conflitos ou para não parecer mal-educado. No entanto, essa omissão carrega um peso psicológico e social complexo, dividindo opiniões teóricas sobre a eficácia e a saúde dessa postura. Por um lado, a filosofia estoica, com pensadores como Epicteto, defende que a omissão e o controle das próprias reações diante de uma ofensa são sinais de virtude e força interior. 
Para o estoicismo, o comportamento de não responder à provocação é positivo, pois demonstra que o indivíduo não permite que o ambiente externo perturbe sua paz mental. Trata-se da escolha consciente de não dar poder ao provocador. Em contrapartida, a psicologia moderna e a teoria da comunicação assertiva enxergam essa omissão de forma crítica. 
Teóricos como Thomas Gordon apontam que calar-se diante do desrespeito acumula ressentimento e valida o comportamento inadequado do outro. Para essa corrente, o silêncio não é "bom comportamento", mas sim uma passividade prejudicial que anula os limites pessoais. Mas o que move o provocador? A intenção por trás das piadinhas ácidas geralmente esconde a necessidade de afirmação de poder, controle ou a busca por atenção dentro de um grupo. 
Sigmund Freud, ao analisar o chiste e o humor, explicou que o sarcasmo e a ironia agressiva são formas socialmente aceitas de canalizar a hostilidade reprimida. Quem provoca busca, muitas vezes de forma inconsciente, testar os limites do outro ou mascarar suas próprias inseguranças através da diminuição alheia. Portanto, o verdadeiro respeito só se consolida quando a diversão de um não se estabelece sobre o desconforto silencioso do outro.