terça-feira, dezembro 29, 2015

Fazendo molho de pimenta

Se há uma coisa que realça os alimentos é a pimenta. Uma boa pimenta é irresistível e um bom molho transforma o alimento em um prazer imensurável.

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Mineirinho - Clarice Lispector

O décimo terceiro tiro me assassina - porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro. 

É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. 

Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: 'O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.' Respondi-lhe que 'mais do que muita gente que não matou'. Por que? 

No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina - porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro. 

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais - vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu - que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for preciso. 

Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente - não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. 

Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se 3º ano Mineirinho Mineirinho Wilton fev/08 Nome: Nº: Turma: Português enchessem de lágrimas. Só depois que um homem é encontrado inerte no chão, sem o gorro e sem os sapatos, vejo que esqueci de lhe ter dito: também eu. Eu não quero esta casa. 

Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo e Mineirinho - essa coisa que move montanhas e é a mesma que o faz gostar 'feito doido' de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador - em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição. A justiça prévia, essa não me envergonharia. 

Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porquê adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime . Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma. 

Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila, e que os outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. 

E sobretudo procurar não entender. Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo - uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós. Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. 

Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. É como doido que entro pela vida que tantas vezes não tem porta, e como doido compreendo o que é perigoso compreender, e como doido é que sinto o amor profundo, aquele que se confirma quando vejo que o radium se irradiará de qualquer modo, se não for pela confiança, pela esperança e pelo amor, então miseravelmente pela doente coragem de destruição. Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade. Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. 

Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. 

Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso - nesse instante estásendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranqüila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato. O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno". 

(“Mineirinho”, de Clarice Lispector, Para não esquecer, Editora Siciliano)

domingo, dezembro 13, 2015

Você acredita ou confia no sistema?

Nunca o tal “Sistema” foi tão importante como agora. Ele é superior a gerentes, chefes ou qualquer outro tipo de cargo em empresas multinacionais, ou mesmo em postos dos governos municipais, estaduais ou federal. O sistema é capaz de mudar a vida das pessoas e pode nos deixar na mão. Sim! Não há ninguém superior que ao tal “Sistema”. Antes achava que a definição de sistema era simples, como o Wikipédia o define: “Um sistema (do grego sietemiun), é um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado”.
Organização. Esta é a palavra chave. Lidamos com ele em nosso dia a dia. Estes dias fiquei superdependente do tal “Sistema” e nem eu e nem ninguém conseguiu encontrá-lo e muito menos o fez mudar de ideia. Tudo começou quando liguei para a empresa de televisão por assinatura, falei com um fantasma e a voz metálica me obrigava a digitar um monte de números. Ela dizia: “se você quer comprar uma assinatura, digite 1, problemas de conexão, 2”... Quando chegou na opção 9 depois de um tempão, a voz mandou esperar para falar com um atendente. Esperei, esperei e nada. Depois de alguns minutos, ela aparece novamente porque a linha estava ocupada, e novamente repete as opções antigas já ditas, até a opção 9, e me pede para aguardar.
Daí então uma pessoa (verdadeira) me atende. Pedi para cancelar o serviço, e o atendente m diz: “Hoje não é possível, pois caiu o Sistema”. Como assim? Se caiu levanta! Aí o cara me pediu para ligar mais tarde até o Sistema voltar. Então esse tal Sistema cai e sai por aí e ficamos na mão!?. Mas isso não era nada do que estaria por vir mais tarde. Tive que ir ao banco 24 horas, fiquei cerca de 20 minutos na fila e quando chega a minha vez, aparece uma mensagem na tela: “Caixa sem Sistema”. Tá de brincadeira! Pensei. Tive que ir até uma agência bancária e, novamente peguei uma baita fila, porém deu tudo certo.
Ufa! O caixa nem mencionou o nome do Sistema. Então aproveitei o tempo e fui falar com a gerente da Pessoa Física, é o que dizia a plaquinha na mesa dela, e fui até lá para desbloquear o cartão de crédito. Sentei entreguei o cartão, ela digitou... Olhou feio para a tela do computador, digitou... Olhava feio, e digitava e olhava feio... E enfim me disse: Infelizmente não vou conseguir. Por quê? Indaguei. “Deu problema no Sistema”, ela me respondeu.
Fui embora e mais tarde entrei em uma loja para mudar o plano do celular. A atendente pegou meus dados e me apresentou as propostas. Ao pedir um desconto para um determinado plano, ela falou. “Não posso, o Sistema não deixa”. Como assim? Chama a gerente. Ela veio. “Gostaria de um desconto?”, perguntou a gerente. E então, ela me retrucou. “Infelizmente o nosso Sistema não permite, não podemos fazer nada”.

Notei que a sociedade aos poucos está sendo desconfigurada para a configuração do novo Sistema. À noite liguei a televisão e uma multidão de pessoas protestava nas ruas. Uns querendo um novo sistema, outros brigam pela a manutenção dele, enfim, o Sistema é poderoso, afinal ele dita as regras, e manda mais que os caixas eletrônicos, atendentes, chefes, gerentes, bancos... Alguns dizem que só há uma maneira para detê-lo, que é programando-o, configurando-o e gerenciando-o. Porém, basta cair à energia para o sistema cair. Cabe agora saber, quem é que vai cortar o fio.

sexta-feira, dezembro 11, 2015

quarta-feira, novembro 25, 2015

Em sua terceira passagem pelo Brasil, Moz faz um show introspectivo

Não, realmente não foi um show qualquer, pode ter sido o último show do ex-Smiths no Brasil, na apresentação do último sábado, dia 21, no Citi Hall, em São Paulo. Esta foi a terceira tour pelo Brasil, a primeira foi em 2000, e 12 anos depois, veio pela segunda vez em 2012, e sua terceira tour seria em 2014, mas foi adiada por motivos de saúde e, agora, faz a sua terceira tour para promover o seu último álbum “World Peace Is None of Your Business”, de 2014.
Desde o fim dos Smiths, nos anos 80, todos os shows de Morrissey, comparecem fãs da banda inglesa vestindo literalmente a camisa, lotam seus shows, entretanto, Moz nega-se a cantá-las. Lembro-me de sua primeira passagem em um show no Olímpia, quando um fã gritou para que ele tocasse Smiths, ele foi bem enfático e direto. “Smiths is dead”. E tocou apenas “meat is murder”, pregando o vegetarianismo, o seu modo “Morrisey de ser”.
Na segunda passagem, em 2012, ele tocou algumas faixas a mais dos Smiths, como “Still ill”, “How son is now” e “There is a Light that Never Goes Out”, porém em São Paulo o show foi prejudicado, já que uma das caixas de som do Espaço das Américas deu problema.
E, finalmente nesta terceira tour, o show foi o mais diferente, mais intimista. Triste para alguns e um show precioso para outros. Muitos comentavam: “Não gostei de nenhuma música, apenas a primeira (Suedehead)”, disse uma pessoa ao meu lado. Mas é preciso levantar alguns pontos específicos para chegar a esta conclusão. Antes de todos os shows, Morrissey faz uma seleção de vídeos de seus cantores e grupos favoritos, e, estas músicas não eram nada pop, eram canções e artistas estranhos para o público brasileiro. Mas, sem a maioria saber, aquilo fazia parte do show. Em um telão em frente ao palco, foram apresentadas bandas como: The Sparks, New York Dolls e uma interpretação fantástica de Charles Aznavour – “La Boéme”, e depois uma mulher grita e abrem-se as cortinas, quando neste momento, o telão sobe e a banda se apresenta.
Era claro a expectativa de um show de grandes hits, mas não foi. Seus últimos álbuns, “You are the Quarry”, de 2004, “Ringleader of The Tormentors”, de 2006, “Years of Refusal”, de 2009 e, finalmente seu último trabalho” World Peace Is None of Your Business”, de 2014, são álbuns profundamente intimistas. Percebe-se uma produção perfeita nestes discos, com letras tristes, em um mundo cada vez mais depressivo de uma sociedade doente, não há hits, apenas belas canções. 
E foi deste jeito o show. Sem grandes hits, apenas belas músicas tocadas por uma banda competente, com grandes momentos como em “Smiler with Knife”, quando começou a cantar acapela e teve que parar quando alguém começou a gritar, e ele, de imediato parou de cantar e falou: “Quer o microfone?” “Perdeu a cabeça?”, e em seguida recomeçou a música. No final, parte do público saiu decepcionado, pois não houve hits, porém um grande show.

quarta-feira, novembro 18, 2015

MC Tavinho, homenagem a Pitangui - Minas Gerais

Conhecer a cidade onde o meu pai nasceu antes de vir para São Paulo e onde mora parte da minha família é um enorme prazer, principalmente quando se conhece e tem acesso a história da cidade. Conheci Tavinho, ou MC Tavinho que homenageou o aniversário de 300 anos de Pitangui.

Pitangui é a sétima Vila do Ouro das Minas Gerais. É uma cidade que respira história. Sua riqueza, em termos culturais, vai além do município, atingindo todo o Estado e o Brasil.  A cidade foi descoberta por bandeirantes paulistas, chefiados por Bartolomeu Bueno da Siqueira, foi foi considerada a Sétima Vila do Ouro criada no Estado, em 1715, no ciclo do ouro, e elevada à cidade em 1855. 
Pertence hoje à Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais e ainda, ao Circuito Verde – Trilha dos Bandeirantes. Terra-mãe do Centro-Oeste Mineiro, por ser a cidade mais antiga da região, é berço de mais de 40 municípios de Minas Gerais. 
Pitangui é um convite ao turismo histórico, artístico-cultural e ecológico. Para se ter idéia do potencial histórico de Pitangui, é bom lembrar que a luta pela Independência do Brasil nasceu e culminou com a presença ativa de personagens de sua história. 
Entre 1713 e 1720, aconteceram as primeiras revoltas pitanguienses contra as imposições da Coroa Portuguesa, sendo a primeira, a Sublevação da Cachaça. A Revolta de 1720, liderada por Domingos Rodrigues do Prado, contra a cobrança do quinto do ouro, conclamava que “quem pagasse, morria”
Apesar da derrota da Vila de Pitangui, os pitanguienses não pagaram e Conde de Assumar, então governador da Capitania, teve, contrariamente à sua vontade, de anistiar a dívida, dizendo que “essa Vila deveria ser queimada para que dela não se tivesse mais memória”, chamando a população local de “mulatos atrevidos”. Foi a 1ª grande revolta contra a Coroa, antes mesmo da de Felipe dos Santos, em Ouro Preto.

Veja mais a história de Pitangui no site da cidade - Link

Blog de Notícias e História da Cidade - Daqui de Pitangui

segunda-feira, outubro 26, 2015

O programa Esquenta é odiado pela “burguesia”, da direita e da esquerda


Se há um programa que causa debates na televisão aberta é o “Esquenta”, veiculado aos domingos na Rede Globo para todo o país. Uma breve pesquisa na internet revelará várias críticas ao dominical comandado por Regina Casé que atinge altos índices de audiência por ser ou tentar ser o porta voz da periferia, e isto causa polêmicas em todos os aspectos.

Nas últimas décadas criou-se um senso comum que a linguagem da periferia é o rap, principalmente em São Paulo, por isto há vários programas que exaltam a cultura hip hop como o único gênero da periferia, como Manos e Minas, entre outros. Ficam de fora, às vezes o samba, o funk, sertanejo, entre outros.

Fiquei interessado sobre o tema ao assistir alguns programas e, acho a proposta bem legal. Como mostrar a periferia de uma forma alegre? Ela (Regina Casé) faz um programa digno e fui repreendido por um conhecido ao fazer tal afirmação. Intelectual de esquerda, marxista nato, afirmou-me que é um atestado de pobreza e burrice ver tal programa, pois valoriza apenas uma cultura duvidosa e alienante. Outro dia, um outro conhecido, este conservador, afirmou a mesma coisa, praticamente o mesmo argumento, aí cheguei a uma conclusão: “O programa Esquenta é criticado não por suas características, mas sim pelo preconceito”.

A periferia é multicultural, tem de tudo, e é esta mistura é a síntese do Esquenta, “tudo junto e misturado”. Mas isto não é bem visto por críticos intelectuais principalmente estes “burgueses” de todos os gêneros. É possível encontrar críticas ao Esquenta com teores preconceituosos, como este que encontrei na internet.

“Comandado pela brega Regina Casé (sic) ... O dominical tem a roupagem espalhafatosa e colorida das roupas da apresentadora... O programa mostra um Brasil com valores culturais pobres ao levar para exibição o que considera a voz dos marginalizados. Então é comum ver um linguajar cheio de gírias, moças seminuas rebolando, dançando funk e outros ritmos ao som de letras pobres e sem sentido, senão o de exaltar a sensualidade e o sexo fácil. O Esquenta mostra o Brasil dos desgraçados, dos desprovidos de sonhos, dos que não tem expectativas, dos que estão juntos e misturados. Uma grande periferia, onde o nóia está próximo do traficante. Onde a dona de casa e o trabalhador a tudo vê, tudo ouve, tudo sente, mas que finge que nada viu, nada escutou, nada sentiu e ainda tem o bandido e traficante como amigo do peito. Tudo junto e misturado, é esta a impressão que O Esquenta passa”. (Ver texto original).

Há ainda textos engajados que afirmam que o programa tem características racistas, por colocar o negro em posições “suburbanas”. “O programa reforça o estereótipo dos negros brasileiros como indivíduos suburbanos, subempregados, mas ainda assim felizes, sempre com um sorriso no rosto, esquecendo-se das mazelas cotidianas por meio da dança, do remelexo, das rimas pobres do funk, do mau gosto de penteados e cortes de cabelo extravagantes” (ver a matéria original).

Caro amigo ou amiga que lê estas poucas linhas, o fato, é que a periferia incomoda, seja qual for a abordagem. Qualquer tipo de programação que mostre uma cultura que não venha do “mainstream” central, ou da Vila Madalena e adjacências elitizadas espalhadas pelo nosso Brasil, será sempre vista como uma subcultura, e sempre será criticada por todos, não importando a ideologia.

A cultura seja ela qual for, deve transitar entre si como trocas de informações, fazendo com a cidade possa ser mais homogênea, mesmo com tantas diversidades de gêneros. As informações nos botecos da periferia são diferentes dos “botecos” elitizados com suas músicas e comidas gourmet; são, na maioria das vezes, mais “frescas”, saindo do forno, sempre com uma moda diferente, com roupas coloridas e cortes de cabelo com gosto duvidoso para alguns. 

Mesmo assim, ganhará a mídia e irá se apresentar em programas como o Esquenta. Depois disso, será elitizado nos bairros ricos e nos bares gourmet e nos locais onde vendem comidas de rua, ops! Aliás, agora é truck foods. Enfim, vários usuários espalharão esta moda do subúrbio pela cidade e, ainda assim, continuarão a condenar tudo que a televisão mostra da periferia, seja do bem ou do mal. Onde fica mesmo a periferia?

terça-feira, outubro 13, 2015

A censura e a incensura da burguesia e a linguagem "figurada"


As letras de funk e dos raps da periferia são alvos constantes de preconceito pela mídia e da classe dominante em si. Não quero aqui defender um estilo em detrimento do outro, mesmo porque não gosto nenhum pouco de funk com suas letras "pesadas" e do rap (também tem letras pesadas) mas vejo mais talentos, como Emicida, Criolo, Racionais, entre outros, que levam o estilo e a cultura à frente, mas trata-se apenas de um gosto pessoal.

Muitos se esquecem que a música é uma linguagem. Às vezes, outros gêneros dão à voz ao "bandido" e ainda o transformam no protagonista, como o cinema, o teatro e a literatura, e tudo se transforma em ficção. Com a letra das músicas é a mesma coisa. Mas, isto vai depender diretamente de quem canta, pois o preconceito, vai desde as letras e também do emissor, deixando claro um preconceito bem latente, tanto da linguagem, como cultural. Se for um cantor oriundo da classe média, a letra que fala de violência, é interpretada como "figura de linguagem", e é vista a beleza lirica da canção. Peguei um texto clássico, um bom exemplo disto, é a letra da música "Exagerado" do Cazuza.

"...E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais..."

Não quero tentar fazer uma análise linguística desta letra, mas este trecho em si, é visto como algo "belo" e romântico, mas os três verbos "mendigar",  "matar" e "roubar", não contem nada de "romântico", se este trecho fosse interpretado por qualquer  MC de funk ou por algum rapper, poderia sofres sérios problemas de preconceito. A subversão do substantivo "mendigo" em verbo, dá a impressão que ser mendigo é uma opção.

Será que se o Mano Brown dos Racionais cantasse esta letra em ritmo de rap teria o mesmo contexto de Cazuza? Mas, a música do Cazuza, é legal, afinal, ele é considerado um poeta que representou uma geração. Será? Particularmente, gosto de algumas canções, mas é um cantor comum, nada mais do que isto.

O problema é o "endeusamento" de alguns artistas em detrimento de outros, que falam a mesma coisa, e a única diferença é a classe social e o preconceito latente em nossa sociedade.

segunda-feira, outubro 05, 2015

As Vantagens de Ser Invisível - Seria já um clássico?


Estes dias conversando com alguns amigos sobre o que foi a juventude dos anos 90, começamos a divagar sobre algo que pudesse representar, ao menos, um pouco, o que foi aquela geração, principalmente baseada nos filmes. Lembramos de alguns títulos como “Singles” (Vida de Solteiro) e alguns outros. A turma falou que sentia falta de filmes desta geração e, para minha surpresa, me deparei com o filme “As vantagens de ser solteiro”, história baseada no livro.

Comecei assisti ao filme sem intenções, e aos poucos, a cada quadro, me surpreendia com o personagem Charlie que é o personagem que narra o filme em primeira pessoa e percebe-se que é um jovem traumatizado, e as revelações acontecem aos poucos, por conta do suicídio de seu melhor amigo e também sobre a morte de sua tia, tudo isto somados aos problemas de sua escola com “bulling” que ele sofria. Este roteiro, parece clichê, mas a forma como os fatos são narrados revelam ao público as sensações deste protagonista.

Charlie era um cara tímido, mais com um potencial de “louco”, no sentido que vale a pena fazer tudo para curtir a vida ao máximo, e acaba fazendo amizades com um grupo que tinha as suas mesmas características.

Seus amigos Patrick e Sam a eterna ex-Harry Porter Emma Watson, são fundamentais para a reconstrução da identidade de Charlie, assim como o seu professor de literatura, interpretado por John Cusack. Um dos traumas deste herói, era o amor pela sua tia de uma forma doentia (não vou entrar em detalhes para não atrapalhar que ainda não assistiu ao filme).

Duas cenas inesquecíveis são essenciais para este belo filme e, a primeira com a belíssima interpretação de Emma Watson, quando Sam escuta pela primeira vez a música Heroes de David Bowie e no final esta cena é repetida por Charlie. Não que o filme seja um clássico, mas ele deixa marcas profundas sobre o que foi os anos 90 e sua geração, mas talvez sim. A vantagem de ser invisível já nasce “Clássico”.

sexta-feira, outubro 02, 2015

Rock in Rio: um festival necessário para a cultura pop

Entrada principal do Rock in Rio, um ponto de selfies para quem chegava ao local
Para a sobrevivência da cultura musical pop, os festivais deverão sempre existir. Depois do Festival de Woodstock em 1968, em uma fazenda nos Estados Unidos, esta modalidade de shows fez parte de um entretenimento inevitável para a música. “A sociedade consome o que ela produz”, já dizem alguns sociólogos e, este consumo está relacionado também ao indivíduo e, quando se trata de música, os grandes festivais são um reflexo social e cultural das apresentações, assim como os músicos envolvidos e, as razões pela qual os festivais acontecem. No caso específico do Rock in Rio, é simplesmente, lazer nonsense, apenas festejar a cultura pop.
Naturalmente tive que entrar no clima "selfie"
A critica do jornalista Alexandre Matias, do UOL, publicada nesta segunda, dia 28, sobre o “shopping pago com trilha sonora”, é descontextualizada, sobre o que é um “festival”. Será que o festival seria igual ao primeiro Rock in Rio, em 1985, onde não tinha infraestrura alguma? Para exemplificar, no dia 16 de janeiro de 1985, nas apresentações do AC/DC e Scorpions, os lanches haviam se acabado, bebidas tinham sido esgotadas e a multidão se aglomeravam nas filas dos banheiros químicos. Faziam as necessidades na lama daquela noite chuvosa, sem telão e com um som de qualidade duvidável, a não ser pela ótima apresentação dos músicos, mas aí é uma outra questão.
Hoje, há atrações, há bares, stands, realmente é um “shopping” não no sentido pejorativo, mas da adequação. É tudo pop, é tudo consumo. Esta é a nova tendência dos festivais, muito diferente do mais famoso, o Woodstock de 1968, que aconteceu com objetivo de festejar a Paz, pois os Estados Unidos estavam em guerra. Outro festival famoso foi o Live Aid, que aconteceu em 1985, para arrecadar fundos contra a fome nos países africanos, especificamente a Etiópia; houve ainda o festival “feminista” Lilith Fair, nos Estados Unidos, que foi realizado entre os anos de 1996 e 1997, levantando a causa das mulheres, e tem ainda vários festivais famosos, como: Glastonbury Festival (Reino Unido), Lollapalooza, Coachella Fest, entre tantos outros, mas estes são puramente fomentadores de cultura.
Um chafariz era um outro ponto de fotos do evento
É irreversível. Nos Estados Unidos, na Inglaterra, entre outros países, a cultura dos festivais já acontecem há décadas. Os mais velhos sempre vão reclamar com saudosismo e sempre farão comparações com o passado e costumam a dizer ainda que o rock morreu. Desde os anos 70 os roqueiros-murmuradores falam isto, e sempre continuarão a falar. Mas, desde os anos 50 até agora, o rock e a música pop, se reinventaram várias vezes, gerações e gerações vestiram roupas diferentes, ouviram riffs diferentes, assim como as batidas completamente diferentes a cada ano. Mas é daí?
Criticar um festival porque lá tem a Katy Perry, ou porque tem Roda Gigante e Montanha Rurra? O grupo The Jam, dos anos 70, já afirmava “That’s Entertaiment”, e como o Camisa de Vênus a traduziu: “É só pra passar tempo”, enfim, é puro entretenimento. Pela critica do jornalista, é porque lá tinha muitas lojas, banheiros e bares o bastante para se entreter? Bom, o importante disto tudo é que tinha música, então aumenta que isto daí é rock and roll, e viva os festivais!


domingo, setembro 20, 2015

A Cultura pop precisa de festivais

A entrada do Rock in Rio é um local de confraternização e selfies 

Não há lama para se jogar como em festivais antigos, mas a água que jorra neste ponto é simbólico


O Rock in Rio, assim como os demais festivais de músicas é a confraternização da cultura pop. Há vários questionamentos sobre a forma como estes festivais são realizados, mas é inegável a sua importância política para a cena musical. Podemos questionar sempre as atrações, que deveriam conter mais estreantes, pois são nestes festivais que há a consagração de uma banda. No último sábado, dia 19, estava lá, testemunhando as atrações.


quinta-feira, setembro 10, 2015

Engenharia necessária

OMG! That last one blew my mindCredit: Brusspup

Posted by Wonderful Engineering on Sábado, 29 de agosto de 2015

quinta-feira, setembro 03, 2015

Verme que roeu as carnes

Quero aproveitar todas as oportunidades que aparecerem à minha frente. Quando passar em frente a Casa Lotérica, vou fazer aquela “fezinha”, para tentar ganhar o prêmio acumulado. Vou passar em frente a um restaurante chinês e comer aquele prato de frango xadrez; à tarde comerei hot dog com muita maionese e se passar em frente a boteco qualquer vou traçar uma coxinha com coca-cola.
À noite, se me ligarem vamos sair para chacoalhar o esqueleto, e por aí vai. Aproveitar os melhor momentos da vida com a satisfação pessoal dependendo de cada gosto, cada um a sua maneira. É isso aí, aproveitar a vida. Tudo isso sem tirar a responsabilidade que temos perante a casa, a rua e o trabalho, e até da nossa vida pessoal, com os nossos objetivos.
Afinal de contas, não podemos nos dar o direito de levar a vida igual ao personagem de Machado de Assis, Brás Cubas, que morreu aos 64 anos, sem alcançar seus objetivos. A história é contada por um defunto que não aproveitou a vida em nada e diz: “ao vermes que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas“.

Toda injustiça é pecado

Em um dos contos do escritor americano, Edgar Alan Poe, ele começa com esta frase em latim: “Qui n’a plus qu’un moment à vivre – n’a plus rien à dissimuler” – Que significa, quem teve um momento na vida, não tem razão para mentir. Realmente a vida é fantástica quando a vivemos com intensidade; quando temos oportunidade de trabalhar, estudar e ter acesso a saúde, cultura, etc.
Mas, como vivê-la tendo um mundo cheio de problemas, como guerras, violências, governos que pensam apenas em manter o poder e não viabiliza as oportunidades ao trabalho, cultura, saúde e educação? E quant ao trabalhar tendo um dos piores salários mínimo do mundo? Ok. melhorou mas ainda é pouco, muito pouco.
Por isto o apóstolo Tiago escreveu: “Vide o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, e que foi retido com fraude, está clamando. Os clamores dos ceifeiros chegam aos ouvidos do Senhor Todo Poderoso” – Tiago 5:4.
Os trabalhadores deveriam aproveitar a vida como em eclesiastes 3:13 que diz: “E também que todo homem coma e beba e goze do bem de todo o seu trabalho, é isto um dom de Deus”. Quando os nossos governantes não dão esse direito, cometem injustiças. “Ai dos que decretam leis injustas e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas e roubando os órfãos”. Isaías 10: 1-2.

terça-feira, setembro 01, 2015

flatulência e pum

Segundo dicionário Houaiss, flatulência é o ato de emissão de gases pelo ânus. Que definição mais feia. Poderia ser, problemas estomacais ocasionando gases. Mas não, o dicionário foi direto.
Resolvi escrever sobre isto quando estava entrevistando uma pessoa pública em seu gabinete, e após ela fazer suas necessidades fisiológicas, deu a descarga, abriu a porta e já estendeu as mãos me cumprimentando, sem ter lavados as mãos. Sem opção, tive que retribuir o gesto, e apertei aquela mão. Urgh! Então lembrei de algumas situações que passei.
Certa vez, estava na fila de um banco, daqueles bem chiques e a agência estava vazia. Na minha frente, uma senhora muito bem arrumada, loira, cabelos curtos, um colar de pérolas no pescoço, e de re pente ela me solta um pum, daqueles bem altos. Ah! Todos olharam, não para ela, advinha pra quêm? Eu fui o alvo de olhares cônicos me reprovando. A velha safada disfarçou e me deixou em situação dificil. Todos na agência me olhavam, já me julgando, jamais iriam desconfiar, que aquela senhora bem vestida e educada, estava com sérios problemas intestinais.
Outro dia estava sozinho em um elevador de um shopping e meu intestino não me obedeceu e como diz o dicionário "flatulei". No andar seguinte entraram dezenas de pessoas de uma só vez, dentre elas uma senhora, com um nenem que estava dormindo. Quando o elevador fechou as portas, o povo quase morreu. Disfarcei e olhei para um senhor de idade, quase o condenando. O cheiro era tão insuportável que até o bebê acordou chorando.
Agora, é certo que muitas pessoas públicas (políticos) lavam as suas mãos dos atos que fazem, mas algumas não as lavam quando nos cumprimentam.

terça-feira, agosto 18, 2015

17 músicas sobre 17 anos – A passagem da infância à liberdade

Não, definitivamente ter 17 anos não é uma tarefa nada fácil. Por mais que seja uma das melhores fases da vida, a idade representa várias passagens, da adolescência para fase adulta; crises existenciais ou até mesmo, pressões familiares sobre faculdades, vestibulares, amores, paixões e amizades. Aliás, acontece tudo de uma vez só, uma avalanche de responsabilidades e escolhas. Esta fase é cantada inúmeras vezes em canções americanas que representa uma fase importante, pois é o momento em que o jovem termina a high school para ir ao College.

Tanto no Brasil, como em muitos países, ter 17 anos, é ainda, estar aprendendo a dirigir, arrumar o primeiro emprego, fase do exército para os meninos, daí o grupo Ira! Em Núcleo Base diz “Eu tentei fugir; não queria me alistar; eu quero lutar; mas não com esta farda”. Fase que os jovens estão se matando de estudar para o vestibular;  descobrindo algumas baladas; bebendo e ficando até de manhã na rua; se preocupam mais com o corpo; começam se a tirar documentos como CPF, Carteira de Trabalho, e alguns já fazem planos em morar sozinho; ser independente; saber sobreviver sem pai e mãe; conversar sobre faculdade o tempo todo, conversar sobre assuntos polémicos (politica, efeito estufa, aquecimento global) e etc..  

Mercedez Sosa em “Volver a los 17 “ fala o que é realmente ter 17 anos de uma forma poética “Volver a los diecisiete después de vivir un siglo; Es como descifrar signos sin ser sabio competente; Volver a ser de repente tan frágil como un segundo; Volver a sentir profundo como un niño frente a dios; Eso es lo que siento yo en este instante fecundo”.(Voltar aos 17 depois de viver um século; É como decifrar sinais sem ser sábio competente; Voltar a ser de repente tão fragil como um segundo; Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus; Isso é o que sinto neste instante fecundo).

Nos Estados Unidos é o momento em que o jovem  deixa a sua casa para “conquistar o mundo”, ou seja, sua total independência. Vários filmes abordam esta temática, desde Barrados no Baile (Beverly Hills, 90210), Melrose Place, Glee, entre tantos outros que nos possibilitam a ter esta noção claramente. Ramones não canta exatamente sobre ter 17 anos, mas em quase todas as suas letras,  esta fase é abordada. Talvez a mais marcante é “I don´t want to grow up”, que diz:  I don't wanna have to shout it out; I don't want my hair to fall out; I don't wanna be filled with doubt; I don't wanna be a good boyscout; I don't wanna have to learn to count; I don't want the biggest amount; No I don't want to grow up. (Eu não quero ter de gritar; Eu não quero que meu cabelo caia; Eu não quero ficar cheio de dúvidas; Eu não quero ser um bom escoteiro; Eu não quero ter de aprender a contar; Eu não quero ter muito dinheiro; Eu não quero crescer).

Então seja bem-vindo a fase adulta! Às vezes, isto acontece da pior forma, como canta Capital Inicial em Natasha, “…Tem 17 anos e fugiu de casa; Às sete horas na manhã no dia errado; Levou na bolsa umas mentiras pra contar; Deixou pra trás os pais e o namorado…” Definir a adolescência pela idade pode ser uma tarefa bem fácil, mas tentar explica-la, é uma outra realidade, principalmente através da música. Joan Jett  em seu clássico “I love Rock and Roll”, fala da maturidade da mulher  na hora de conquistar um garoto mais jovem que está próximo à uma máquina de discos: “I saw him dancing there by the record machine; I knew he must have seventeen…” (Eu o vi dançando ali perto da máquina de discos; Eu sabia que ele deveria ter uns dezessete).

Na mesma “pegada” Kelly Key em Adoleta, coloca uma conotação sexual bem discreta, “…17 anos pré-vestibular, pai enchendo o saco, tem que estudar; Já tive essa idade sei como é que é, mas tu ta lidando com uma mulher.” o contexto amoroso e o sexual é na verdade o que vai mais aparecer em várias canções. Kool and the Gang, canta um amor inocente em Too Hot,  “At Seventeen we feel in love, high school sweetheart, love so brand knew”. (Aos 17 nos apaixonamos, um amor de colegial tão querido, um amor tão novo).

A transição entre a infância e fase adulta, tanto psicologicamente como corporalmente, acontece devido as mudanças dos hormônios, etc. Pode representar para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto, e isto às vezes tem um preço, e a insegurança pode tomar conta deste comportamento. Nenhum de Nós em Camila, diz “E eu que tinha apenas 17 anos, baixava a minha cabeça pra tudo; era assim que as coisas acontecem, era assim que via tudo acontecer…” Cazuza também cantou sobre a importância de ter esta idade. Em 17 anos de vida, ele diz de forma melancólica: “…17 anos de vida; Eu tô perdido; Do joelho até o umbigo; Tudo é perigo…”

Mas nada se compara com a música mais famosa que fala sobre ter 17 anos. Abba, em Dancing Queen, a toda a letra fala da liberdade e da felicidade de ter esta idade. A música já começa em pleno movimento: “You can dance; you can jive…”, mais adiante diz: “You’re in the mood for a dance; And when you get the chance; You are the Dancing Queen; Young and sweet, only seventeen; Dancing Queen…”

Veja aqui uma pequena lista de rocks e outras músicas memoráveis sobre ter 17 anos e abaixo do link uma lista de músicas nacionais e internacionais sobre 17 anos. Com exceções de Exceções de Era um Lobisomem Juvenil da Legião Urbana e da canção Terra de Gigantes do Engenheiros do Havai que entraram na lista pelo contexto.



1) Stray Cats – She’s sexy and seventeen
“Will she’s sexy seventeen, my little rock roll queen”

2) Kool and the Gang – Too hot
“At seventeen we fell in love, highschool sweet hearts, love so brand new…”

3) Benny Mardones – In the night
“She’s just sixteen years old, leave alone, they say…”

4) BJ Thomas – Rock Roll Lullaby
“She was just sixteen and all alone…”

5) Joan Jett – I love Rock and Roll
“I saw him dancing there by the record machine; I knew he must have seventeen…”

6) The Cars – Let’s Go
“She’s winding them down on her click machine;and sehe won’t give up ‘cause she’s seventeen…”

7) The 6th – You you you
“… You make me feel like seventeen…”

8) Steve NicksEdge Seventeen

9) Kings of Lion
17

10) The Magnetic FieldsI don’t want to get over you

11) The montain goats
This years

12) Janis IanAt Seventeen

13) Iron 8 wineThre by the river

14) Meat loaf
Paradise by me

15) AbbaDancing Queen

16) PooneyThat the girl has love

17) Larly TronSeventeen



Nacionais
1) Cazuza – 17 anos de vida

“…17 anos de vida
 Eu tô perdido
 Do joelho até o umbigo
 Tudo é perigo…”

2) Capital Inicial – Nastasha

“…Tem 17 anos e fugiu de casa
 Às sete horas na manhã no dia errado
 Levou na bolsa umas mentiras pra contar
 Deixou pra trás os pais e o namorado…”

3) Legião Urbana – Eduardo e Mônica

“…Eduardo e Mônica eram nada parecidos
 Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
 Ela fazia Medicina e falava alemão
 E ele ainda nas aulinhas de inglês…”

4) One Finish – 17 anos

“…E não se convenceu não era pra durar
 Eu acho que esqueceu…
 Que só tem dezessete anos
 Idade absurda pra dizer que ama…”

5) Nenhum de Nós – Camila

“…E eu que tinha apenas 17 anos,
 Baixava minha cabeça pra tudo,
 Era assim que as coisas aconteciam,
 Era assim que eu via tudo acontecer…”

6) Os Capitães de Areia – Dezessete anos

“…Tinhas só dezessete anos
 E levei-te p’ra dançar
 A pista estava vazia
 Desculpa para te beijar…”

7) Oriente – Linda, Louca e Mimada

“…Com 17 anos e fugiu de casa, mas já conhece incontáveis canções
 Ela tem alma de pipa avoada
 Mas na sua estante imaginária coleciona corações…”

8) Essiele – 17 Em Ponto

“…To com um disquin pra lançar, um carrin pra comprar,
 Umas conta pra quitar, meu filho pra criar,
 Minha mãe pra orgulhar, os amigo pra salvar,
 Uns rapzin pra escrever, mas to sem base pra gravar, não dá…”

9) Pita – Casulo

“…Ela só tinha 17 anos
 Gostava de Bob e de Caetano
 Tava sempre Viajando
 E não passava de ano…”

10) Kelly Key – Adoleta

“…17 anos pré-vestibular, pai enchendo o saco, tem que estudar..
 Já tive essa idade sei como é que é, mas tu ta lidando com uma mulher.
 Vê se me obedece, tem que respeitar, você é gatinho mais assim não dá..
 Quero atitude quero atenção tem que dar valor ao que tu tem na mão…”

11) MC Eltin – Mercenária Juvenil – Ela só tem 17 anos

“…Ela só tem 17
 Mas pensa que já é mulher
 Mas nem sabe o que ela quer
 Passa o dia de rolé
 E bebe tudo que tiver
 Faz os troxas de mané
 Von dutch no seu boné
 e os pela saco no seu pé…”

12) Victor Paiva – Dezessete Anos (17 Anos)

“…Dezessete anos tinha quando a conheci
 Uma linda garota que fazia cópias
 Com alguns traumas e muitas histórias
 Uns, sonhos de criança
 Dezessete anos, quando à beijei pela primeira vez
 Sempre apressada com a sua rapidez
 Típica de quem quer tudo
 Mas acostumou a nem sempre ter…”

13) Mercedes Sosa – Volver a los 17

“…Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
 Es como descifrar signos sin ser sabio competente
 Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
 Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
 Eso es lo que siento yo en este instante fecundo…”

14) NX Zero – 18 anos

“…Sem lembrar o quanto eu sou feliz (…)
 Nasceu um anjo, uma menina
 Que é tão linda e agora vai crescer
 Seu aniversário é hoje e completa seus 18 anos, Ana Carolina Favano…)

15) Raimundos – Me lambe

“…O homem de cassetete disse, quando me algemou
 Que ela só tinha dezessete, que o pai dela era doutor
 E que se fosse eu ainda faria igual
 Se fosse no ano que vem ia ser normal
 Como a vista é linda da roda gigante
 É… tão grande
 Acho que ela viajou que eu era um picolé
 Me lambe
 No parque de diversões foi que ela virou mulher
 Das forte
 Menina pega a boneca e bota ela de pé…”

16) Legião Urbana – Era um Lobisomem Juvenil

“…Se o mundo é mesmo
 Parecido com o que vejo
 Prefiro acreditar
 No mundo do meu jeito
 E você estava
 Esperando voar
 Mas como chegar
 Até as nuvens
 Com os pés no chão…”

17) Engenheiros da Havai – Terra de Gigantes

“…Hey mãe!
 Eu tenho uma guitarra elétrica
 Durante muito tempo isso foi tudo
 Que eu queria ter
 Mas, hey mãe!
 Alguma coisa ficou pra trás
 Antigamente eu sabia exatamente o que fazer…”

sexta-feira, agosto 14, 2015

Vaca Profana

Respeito muito minhas lágrimas
Mas ainda mais minha risada
Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada

Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da man...

Ê, ê, ê, ê, ê
Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas

Segue a "movida Madrileña"
Também te mata Barcelona
Napoli, Pino, Pi, Paus, Punks
Picassos movem-se por Londres

Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horizonte
Bahia, onipresentemente
Rio e belíssimo horiz...

Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca de divinas tetas
La leche buena toda en mi garganta
La mala leche para los "puretas"

Quero que pinte um amor Bethânia
Stevie Wonder, andaluz
Como o que tive em Tel Aviv
Perto do mar, longe da cruz

Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s blues
Mas em composição cubista
Meu mundo Thelonius Monk`s...

Ê, ê, ê, ê, ê,
Vaca das divinas tetas
Teu bom só para o oco, minha falta
E o resto inunde as almas dos caretas

Sou tímido e espalhafatoso
Torre traçada por Gaudi
São Paulo é como o mundo todo
No mundo, um grande amor perdi

Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos aí
Caretas de Paris e New York
Sem mágoas, estamos a...

Ê, ê, ê, ê, ê,
Dona das divinas tetas
Quero teu leite todo em minha alma
Nada de leite mau para os caretas

Mas eu também sei ser careta
De perto, ninguém é normal
Às vezes, segue em linha reta
A vida, que é "meu bem, meu mal"

No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us plau"
No mais, as "ramblas" do planeta
"Orchta de chufa, si us...

Ê, ê, ê, ê, ê,
Deusa de assombrosas tetas
Gotas de leite bom na minha cara

Chuva do mesmo bom sobre os caretas

Vaca Profana
Caetano Veloso


segunda-feira, agosto 10, 2015

Uma carta, o pão e o leite

Há tempos, as pessoas eram mais humanas e a violência não passava na televisão como o suprassumo das notícias; há tempos, ficávamos abalados quando aconteciam crimes, corrupção, entre outros casos semelhantes, mas hoje, enxergamos tudo isto como coisas banais, de nosso dia a dia. Aquela coisa da Lei de Gerson, criada no final dos anos 70, de querer levar vantagem em tudo, ficou enraizada no (in)consciente coletivo das gerações que vieram a seguir, e hoje, o modus-operandi deixou para trás a ética e a moral, e o que é absurdo, passa a fazer parte de nosso cotidiano.
Sem quer entrar neste mérito, mas este texto é apenas para relatar uma imagem que vi em um muro, onde tinha uma caixa de correios para “carta, pão e leite”. Achei fantástico, pela minha idade, não cheguei a ver tal serviço, de pão e leite nas caixas de correios, mas achei esta caixa simplesmente maravilhosa, um “absurdo”, da normalidade atual, onde as pessoas não enviam mais cartas, mas sim, e-mails, whatapps e compram leite desnatado ou integral de caixinhas e o pão em bisnaguinhas em supermercados.
 Às vezes vão até a padaria e compram pão por kg, de massa congelada pré-feita. Nas padarias, não se usa mais aquelas lenhas, que víamos quando elas chegavam para assar os pães feitos pelos padeiros. Ah! Padeiros? Quem é este ser mesmo? São poucas as padarias que ainda utilizam o trabalho deste profissional.
Esta caixa demonstrava uma confiança e uma relação humana bem maior. Significa que a pessoa colocava ali o litro de leite e o pão, neste caso, provavelmente, ficava aberta e qualquer um poderia ter acesso, assim como o pagamento, que deveria ser feito bem depois, provavelmente em uma caderneta. Ninguém tirava vantagem de nada desta situação.
Infelizmente, aquelas pessoas se foram, ficaram apenas as caixas e as memórias das cartas, dos pães e dos leites.

Pelas Ruas

Estava ouvindo The Replacements e deu uma vontade de voltar escrever letras simples, para um rock rápido, cru, com apenas três acordes, e saiu esta letra.
Toda hora ouço as notícias nos jornais;
Violência impera nas ruas e em seus quintais;
A Esperança já virou nome de novela;
E as drogas ainda imperam na favelas;
Cidadão comum é confundindo com bandido;
Por isso sempre tento andar direito;
Pago todas as contas e ainda sou cobrado;
E me perguntam se eu tenho a ver com isto;
Nas salas debatemos soluções;
Teorias apontam algumas respostas;
Programas sociais são recebidos com aplausos;
Mas a culpa sempre cai em nossas costas;
Perdida a sociedade sente dor e…
À noite são todos iguais em busca de diversões;
Vazio na vida, vazio nos corações;
E na cruz está a esperança do amor;

Sempre correndo para repor o prejuízo;
Sem tempo espera um milagre;
E acredita que é assim que acontece;
Esperando pela vida e seu juízo;

quinta-feira, julho 30, 2015

Lucia in the Sky with Diamonds

É por isso que não podemos “ir” sem direção, mas na direção de nossos sonhos para que não possamos cair. 
Lucia era uma menina de 50 e poucos anos. Quando adolescente, ela era uma das mais belas e desejadas pelos garotos do bairro; da escola e das festinhas que frequentava. Aprendeu a fumar muito cedo e teve vários namorados, alguns foram breves e outros duradouros.
Conhecia a Lucia desde quando era pequeno, bem criancinha. Sempre a via tomando algumas doses de hi-fi ou pinga com groselha, coisa dos jovens dos anos 70 e 80. Quando a conheci no bairro, ela já não era tão bela, apenas simpática com seu sorriso com poucos dentes. A família da Lucia é uma das mais antigas da região e todos se comoviam quando encontravam Lucia na calçada com umas doses a mais na cabeça, chamavam seus irmãos imediatamente para socorrê-la.
Uma vez, na entrada de um Ano Novo, lembro-me da Lucia brigando com um dos seus namorados, ela pegou uma esponja bem grande que estava jogada em um canto da calçada e começou a “bater” no seu “amor” com a esponja, que estava toda suja, e o rapaz, corria gritando: “ai, ai, ai...” Toda a molecada começou a rir daquela cena hilária.

sexta-feira, julho 24, 2015

Pelas ruas

Estava ouvindo Replacements e deu uma vontade de voltar escrever letras simples, para um rock rápido, cru, com apenas três acordes, e saiu esta letra.
Toda hora ouço as notícias nos jornais;
Violência impera nas ruas e em seus quintais;
A Esperança já virou nome de novela;
E as drogas ainda imperam na favelas;
Cidadão comum é confundindo com bandidos;
Por isso sempre tento andar direito;
Pago todas as contas e ainda sou cobrado;
E me perguntam se eu tenho a ver com isto;
Nas salas debatemos soluções;
Teorias apontam algumas respostas;
Programas sociais são recebidos com aplausos;
Mas a culpa sempre cai em nossas costas;
Perdidas a sociedade sente dor e…
À noite são todos iguais em busca de diversões;
Vazio na vida, vazio nos corações;
E na cruz está a esperança do amor;